Crônicas Escolares

Educando Por Princípios

Crônica da Esperança 10/03/2011

Filed under: Sem categoria — Ana Beatriz Rinaldi @ 15:44
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Janaína estava enfrentando um ano difícil na escola, era o ano de aprender a ler e ela estava dando o máximo de si mesma. Ela sabia que era muito importante aprender a ler.

Já fazia dois anos que morava na Instituição.

Durante esse tempo, nunca deixou de acreditar que um dia chegaria uma família que a acolheria  e a amaria como os pais devem amar seus filhos.

Ela tinha certeza de que esse dia tinha chegado quando a chamaram para conhecer Giulio e Amanda. Eles eram tão simpáticos e gostavam tanto de conversar! Ela alimentou durante três meses a esperança de que finalmente  teria sua própria casa, seu quarto, sua família! Tudo parecia correr bem. Finalmente ela fora alfabetizada. Ela sempre achou que ninguém ia querer adotar uma menina que não soubesse ler e escrever. Por isso mesmo, se empenhou muito para ser boa aluna. A professora era boa e parecia gostar muito dela. Durante as aulas, quando as crianças estavam em silêncio fazendo a lição, a professora pedia a ela que cantasse. Sim, ela gostava de cantar e tinha uma linda voz. Essa voz começava baixinho, como um riacho que de longe só se ouve um chiado mas quando chegamos perto, quase não podemos conversar junto a ele. Assim era o canto de Janaína. Começava doce mas ia crescendo e de repente a professora precisava lembra-la que cantasse mais baixo.

Após três meses de encontros, passeios e muitas perguntas, o casal desapareceu da vida de Janaína. A mãe social explicou que eles haviam desistido de adotá-la. Insistiu em dizer que o problema não era ela mas sim o casal que percebeu não estar preparado para assumir essa responsabilidade. Foi uma grande dor para o coração de Janaína. Afinal, ela havia se esforçado tanto para ser obediente e boa aluna. Não podia imaginar o que dera errado. Ela não daria trabalho. Sabia ler e escrever e fazer quase tudo sozinha. A lição de casa,  tomar banho, comer, cuidar da sua roupa, guardar os brinquedos e quase tudo que via outras crianças mais velhas fazerem.

A querida professora começou a ficar preocupada. Janaína dizia não se lembrar mais de como se escreviam as palavras. Na hora da lição, pedia a professora para escrever na lousa a resposta, não se lembrava das palavras. As palavras pareciam vazias de significado, de propósito.

Preocupada com essa situação, a Diretora da escola perguntou a uma das professoras se poderia gastar um tempo diariamente com Janaína, em uma aula particular, para sondar o que estava acontecendo. Depois de algumas aulas, a professora chegou a conclusão que tudo que Janaína precisava era uma atenção especial. Um tempo que fosse só dela, sem ter que dividir a atenção com os outros colegas. Os últimos dois anos nada havia sido só dela, nem o tempo das pessoas que aprendera a amar. Ela se sentia amada, mas queria que existisse alguém para quem ela fosse realmente especial.

Meses se passaram e Janaína estava novamente lendo e escrevendo muito bem. A professora havia trabalhado com ela a história da criança que queria muito uma bicicleta. A história ensinava que as vezes, quando pedimos muito uma coisa para Deus, Ele apenas diz ESPERE. Nem sempre Ele nos responde SIM quando pedimos, mas precisamos aprender a esperar.

Passados 6 meses, uma família italiana veio visitar a Instituição. Janaína estava sentada cantando. Ao ouvir aquela voz cheia de sentimento, o casal logo se interessou em conhecer Janaína. Em poucos meses, Janaína partia para morar na Itália com o casal. Agora seu desafio seria aprender o italiano na escola, mas ela sabia que seria capaz, pois nada seria impedimento agora que ela tinha uma mãe um pai só para ela!

Encontramos no nosso caminho como educadores, crianças que tem tanta dificuldade no aprendizado da leitura e escrita! Acreditamos  que essas crianças precisam de uma psicopedagoga para superarem seus desafios. Algumas vezes, precisam mesmo. Mas na grande maioria dos casos, elas precisam mesmo é de atenção especial e individualizada. Vamos deixar o coração livre para sentir a dor do outro e assim discernir a real necessidade de cada criança.

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One Response to “Crônica da Esperança”

  1. Carol Says:

    Que bom vc voltou. Achei lindas suas crônicas. Já vou iniciar a capacitação, mostrando para as professoras e educadoras sociais. Vc escreve mto bem, entra na nossa vida. Amo você de todo meu coração. bjos CArol


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